segunda-feira, outubro 21, 2013

[Coluna] K-pop na cidade do sertanejo universitário

Por Isadora Leiria


Ser k-popper não é fácil, mas não sabíamos disso quando começamos a conhecer melhor esse estilo de música, não é? Não sabíamos sobre os preços altos dos álbuns, da dificuldade em conhecer pessoas que gostam de k-pop e, acima de tudo, não imaginaríamos que as barreiras territoriais seriam ainda maiores. Vou tentar explicar melhor.

Imagine morar em um estado onde a cultura predominante é o sertanejo universitário, e onde a cultura coreana parece estar ainda mais distante. Sim, é onde eu moro. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Não estou dizendo que é horrível morar aqui. Eu amo minha cidade, ela tem influência de várias culturas, incluindo a japonesa. Mas a cultura coreana ainda é pouco explorada aqui.

Eu conheço o k-pop desde 2009, quando uma amiga me mandou um vídeo. Eu só sabia que ela conhecia o tal do Super Junior, e continuei falando só com ela. Depois mandei o mesmo vídeo a outra amiga, e assim fomos formando um pequeno grupo que começava a conhecer um estilo de música diferente do que estávamos acostumadas a ouvir nas rádios.

Mesmo assim, depois de ir conhecendo outras meninas que gostavam de k-pop, não deu para escapar do preconceito, ou da frase que todo k-popper ouve um dia: “Por que você gosta desses japoneses? Você nem entende o que eles falam.” É algo triste de se ouvir, ainda mais atualmente. Como se fosse obrigatório gostar só da cultura do seu país ou da sua região.

Mas esse não é o tema aqui. Sei que o k-pop vem se expandindo cada vez mais, e uma grande parte dessa expansão é devido ao sucesso de "Gangnam Style", em julho do ano passado. Imaginem qual foi minha reação ao ligar a rádio e ouvir o PSY cantando! Não era Camaro Amarelo que estava tocando, e sim HEY SEXY LADY! Eu dei gritos de felicidade!

Porque, gostando ou não, foi uma maneira do k-pop, ou uma mínima parcela dele, ser conhecida. Foi a primeira vez que ouvi alguém dizendo para mim “Ei Isa, não é essa a música que você gosta de ouvir?”, ao invés da torcida de nariz quando eu dizia que prefiro ouvir música coreana ao sertanejo.

Claro que ainda há muitas barreiras a serem derrubadas. O preconceito é uma delas, mas esse é infelizmente muito forte. Porque as pessoas têm a infeliz mania de tentar dar sua opinião, mas sem conhecer do assunto. Sem saber do que falam. E ainda tentam dizer que sua própria opinião é certa.

Eu vejo que, aos poucos, eu começo a influenciar meu grupo de amigos e minha família. E vejo também que nos eventos voltados à cultura asiática, como aqueles de animes e cosplay, o k-pop vem ganhando espaço. Exemplo disso será o Anime Revolution, que terá a presença de uma integrante do grupo cover Irony e um grupo cover da cidade, o CeeDanceGee.

Todo k-popper sabe que é difícil se aventurar numa cultura tão diferente da brasileira, e ainda mais diferente da cultura regional. Mas também sabemos que vale a pena tudo isso. Eu não vou desistir de mostrar o k-pop a quem se dispor a me ouvir surtando. E você?




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